INTRODUÇÃO








FAZENDA INGÁ - Acari/RN

Época em que a Fazenda Ingá ainda detinha o cruzeiro "original". O referido Cruzeiro elevava singela homenagem ao líder político 'carismático' da região.



O ex-governador Juvenal Lamartine era compadre e muito amigo de JOÃO RAFAEL DANTAS o que, inclusive, lhe pediu assistência para administrar a Fazenda Ingá após o inditoso acontecimento da morte de Octávio (seu filho). De modo que JOÃO RAFAEL DANTAS mudou-se com toda a família da propriedade rural Volta do Rio para a Fazenda Ingá, ambas localizadas no município de Acari/RN, até que tudo se normalizasse.


Octávio Lamartine teve sua vida ceifada pela mais grotesca covardia. Apesar da placa aludir que ele foi morto pela polícia militar do Estado, do qual, entrementes, sabemos que foram celerados, liberados da Casa de Detenção do Recife pelo interventor potiguar da época. Deram-lhes fardas e comandos para saírem pelo Estado cometendo desmandos e loucuras. De modo que, importante enfatizar que as forças políticas contrárias ao Governo de Juvenal Lamartine deram às tenebrosas ordens. Era os resquícios da Revolução de 1930. 




Atualmente o cruzeiro advindo da Fazenda Ingá se encontra no centro da cidade de Acari/RN. Não obstante está fixado em rua que homenageia o nosso mártir, acreditamos que outro símbolo deveria ser erguido, e não, de forma alguma transportar o cruzeiro da Fazenda para o centro da cidade. Faltou sensibilidade ao administrador.  Contado em diversas oportunidades, por ‘Seu Zé Rafael’ (filho de JOÃO RAFAEL DANTAS) sobre o assassinato ocorrido no município de Acari/RN, precisamente na Fazenda Ingá, do engenheiro agrônomo Octávio Lamartine, filho do ex-governador Juvenal Lamartine. Ele foi morto por uma volante policial “usada” sob o comando, segundo “Seu Zé Rafael”, do tenente Rangel.  Atribuíram como mentores do crime forças políticas contra Juvenal Lamartine. O então prefeito do Acari/RN foi alertado do perigo que corria e que devia se ausentar da cidade o quanto antes. Refutada a ideia de forma veemente pelo prefeito, insistiu este em permanecer na Fazenda Ingá. De posse do HABBEAS CORPUS acreditava ser o suficiente para salvá-lo de toda ou qualquer infortúnio rompido. 




Praça Otávio Lamartine - Acari/RN

"Otávio! viemos te buscar!" Proferiu com agressividade o tal Tenente Rangel. "Não há necessidade para tanto Tenente, pois tenho um HABBEAS CORPUS que me garante a liberdade" Respondeu serenamente Octávio Lamartine.




No detalhe, imagem da casa da Fazenda, que ainda guarda vestígios de sangue do nosso vulto histórico. A frente da mesma tinha um grande cruzeiro construído de granito (material da região) para guarda a memória do líder. No entanto, algum desavisado retirou e o levou para o centro da cidade de Acari/RN, para o logradouro onde patrocina o seu honrado nome. Nada contra importante cruzeiro na Rua OTÁVIO LAMARTINE, contudo não fosse o original da Fazenda. Que se fizesse outro! 
Foi um crime totalmente desnecessário. Em verdade sufocaram os LAMARTINE DE FARIAS para que não exsurgisse ao Rio Grande do Norte, pois Octávio era líder de multidões e, por onde passava agradava. Certamente, seria difícil conter a força de um jovem com brios como a  de Otávio. Contudo, a história reservou essa tragédia para o povo potiguar.

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João Rafael Dantas




Maria Betânia Monteiro – repórter

“Ninguém ama aquilo que não conhece”, disse o professor e historiador gaúcho, radicado em Natal, Walner Barros Spencer. A frase estava contextualizada dentro de uma afirmação grave: a desconsideração com a verdadeira história está impedindo que a juventude norte-rio-grandense perceba a importância de sua descendência, a originalidade da parte não contada de sua história e, consequentemente, a impossibilidade de adquirir a sua veraz identidade. Com o livro “Ecos do Silêncio”, Walner devolve aos potiguares a possibilidade de ouvir as vozes de seus antepassados. O livro, que integra a coleção Nicodemos de Lima, do Sebo Vermelho, será lançado nesta quarta, a partir das 19h, na Livraria Siciliano, do Midway.

A importância do passado indígena na consolidação da identidade do povo potiguar é incontestável, mas ainda ausente na história oficialO título “Ecos do Silêncio – a memória indígena recusada” sugere que o desconhecimento da verdadeira história das diversas parcialidades indígenas vem causando uma desarmonia sobre quem eram os indígenas desta terra, o que fizeram, que opções de vida escolheram, as razões de suas alianças ou de seus isolamentos. “É um grito real, verdadeiro, forte. É parte inconteste da identidade norte-riograndense, talvez a melhor, e, não obstante, tal grito rebate na sociedade atual e não reverbera, restando somente o silêncio de várias e várias gerações, das quais somos resultado”. As palavras de outro historiador, Luiz Eduardo Brandão Suassuna (Coquinho) introduzem o livro, revelam que em “Ecos do Silêncio” o autor alarga um horizonte pouco pesquisado, estudado e difundido.

 Originalmente uma dissertação apresentada ao programa de pós-graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requisito para a obtenção do título de Mestre, seu livro lança um novo olhar sobre a história do Rio Grande do Norte, tomando como ponto de partida a desconstrução violenta da cultura indígena e a edificação, mais violenta ainda, da civilização implantada pelos europeus, principalmente os lusitanos.  O professor critica o fato de que a história do RN é passada linearmente. A normalidade das omissões se junta ao heroísmo dos portugueses. A palavra paz é usada, sem maiores delongas, no sentido de repressão.

A violência indígena é exaltada como uma das causas dos extermínios de populações inteiras, os quais fizeram com que o estado do Rio Grande do Norte se tornasse um dos poucos da federação a não possuir qualquer grupo indígena que mantenha unidade e tradições culturais, embora tenha grande parte da população de origem mameluca, oriunda de uma miscigenação dos remanescentes indígenas com as populações negra e europeia que aqui estavam.

Esta violência é também pinçada de um contexto maior, creditando, como diz o autor, “a mortandade à perversidade natural dos índios, aos instintos sanguinários de bichos do mato, sem nenhum feito cultural e acaba-lhes aplicando, incontinente e implicitamente, todos aqueles conceitos e qualificações equivocadas de uma visão cultural eurocêntrica sobre os povos primitivos”.

Desconhece-se, pela ocultação voluntária da história branca, os grandes massacres de grupos inteiros — impiedosa e violentamente exterminados sobre a bandeira da Coroa Portuguesa e assistindo passivamente, em parte, pelo olhar beneplácito da Igreja Católica.

Arqueólogo, estudioso do passado do território norte-riograndense, Walner Spencer indaga as razões que levaram a sociedade brasileira a pouco se recuperar com a contribuição indígena na formação nacional. No livro, o autor procura suplantar o olhar conservador sobre as populações nativas, construindo ao longo de vários anos pela historiografia tradicional do Brasil — e também do RN — que terminou por caracterizá-las por atrasadas e bárbaras.

Para tanto, ele dialoga com vários ramos do conhecimento, dentre os quais a Arqueologia, a Antropologia, o Direito, a História e a Sociologia, e estrutura seus argumentos em uma sólida e vasta pesquisa documental. Com uma narrativa bem construída, o professor Walner analisou desde a legislação brasileira em torno do Patrimônio Cultural até as dificuldades de se considerar como culturalmente valiosos os vestígios indígenas, passando pela análise de importantes patrimônios norte-riograndenses, como a capela do Engenho Cunhaú.

“Ecos do Silêncio” aparece para o grande público exatamente num momento de renovação da interpretação do passado do Rio Grande do Norte. Com o aumento do número de cursos de pós graduação no Estado, tem ocorrido uma proliferação de estudos que desconfiam dos clássicos da historiografia potiguar, os quais, muitas vezes foram escritos sob a tutela de um projeto de poder. Walner Spencer, portanto, procura escrever passagens da nossa história, apresentando-as de maneira séria e acadêmica, mas com escrita elegante e agradável.

Em seu livro não cabe questionamentos do tipo quem massacrou quem. “Ecos do Silêncio” anuncia que é hora de estudar os extermínios de grupos e culturas inteiras, mas que deixaram um patrimônio arqueológico e imaterial pouco valorizado. Silenciada, a cultura indígena urge por vozes que por ela batalhem. Daí a importância da obra que agora está sendo publicada.


 AVANÇO DA PECUÁRIA


Devido ao avanço das frentes pastoris, com o objetivo de expandir a pecuária, a ocupação do Sertão se intensificou. Entretanto, chegou o momento que a presença indígena se tornou um empecilho e essa a essa expansão. As autoridades coloniais utilizaram, então, a estratégia de desocupação das terras pela eliminação dos nativos que resistissem aos interesses colonizadores. Os portugueses cobiçavam as grandes extensões de terras dos silvícolas e tentavam se apossar delas através do extermínio dos nativos, que se obrigavam a irem cada vez mais para o interior do território. Por outro lado, é bem possível que, enquanto ainda se arrastavam as negociações[1] com os portugueses, os holandeses tivessem animado o povo tarairiu a se rebelar no interior da colônia. Provavelmente havia um clima de revanchismo, pois os nativos teriam defendido os holandeses e deveriam se sentir ameaçados com o avanço dos portugueses, que sempre foram seus inimigos. As tribos não possuíam um comando único que todos obedecessem; poderiam se aliar ou lutar sozinhas, de acordo com as circunstâncias. Na maioria das vezes, tratou-se mais de uma reação contra as perseguições dos brancos do que uma guerra com objetivos próprios. Os colonos provocavam os nativos para que atacassem e, assim, justificariam a guerra justa, que levaria à escravização dos nativos derrotados. Era uma forma de expansão sem respeito às posses ancestrais dos indígenas. O Rio Grande que havia saído de um período de violência, vilipêndio e rapinagem, mergulhou em um conflito contra os indígenas, que, no espaço de cinquenta anos, exterminou as tribos do território. Esse conflito ficou supostamente conhecido como a “Guerra dos Bárbaros” ou “Confederação dos Cariris” e envolveu várias etnias indígenas, no interior das capitanias do Nordeste.  As disputas se desenvolveram em três fases: a primeira foi iniciada na região do Assú, na capitania do Rio Grande; a segunda se concentrou na Paraíba; e a terceira teve como cenário central o Ceará. Os combates se generalizaram por todo o território, entre 1683 e 1713. Durante a década de 1670, com a distribuição de sesmarias nas ribeiras dos rios Acauã, Seridó, Açu, Apodi e Mossoró, já começavam os primeiros conflitos, que eram resolvidos através de "acordos" entre os índios e os vaqueiros. A situação não mudou e os vaqueiros continuaram avançando sobre as terras indígenas. Em 1685, o povo de Janduí se revoltou e avançou contra os criadores. O Rio Grande pediu ajuda a Pernambuco e Paraíba, mas a situação não mudava. Os índios avançaram rumo à Natal e, para se defenderem, os colonos construíram casas fortes e paliçadas. Em face dos pedidos de socorro, o governo-geral do Brasil, decidiu requisitar bandeirantes de São Paulo e de São Vicente. Os indígenas, além das armas europeias, adotaram o uso de cavalos e incendiavam fazendas, matavam o gado e os vaqueiros. A resistência desses nativos foi um elemento surpresa e a presença dos bandeirantes[2], que foram eficientes no quilombo de Palmares, não conseguiu debelar a revolta. Ao contrário, o conflito dilatou-a para outras regiões, provocando a adesão das tribos dos anacés, jaguaribaras, acriús, canindés, jenipapos, tremembés e dos baiacus, que se mostraram muito violentos na defesa de seus direitos. Enquanto isso a guerra era alimentada pela ambição de uma parte dos colonos, que desejavam as terras que pertenciam aos nativos. Quando Antônio de Albuquerque reassumiu o comando da guerra, seu objetivo era exterminar os guerreiros indígenas e escravizar mulheres e crianças.  Por outro lado, Bernardo Vieira, governando a capitania na época, habilidosamente atraiu os nativos para um acordo de paz. Essa pacificação terminou servindo muito bem para os colonos, pois o genocídio já havia sido iniciado e os colonos poderiam tomar posse das terras. Os grupos nativos que se submeteram a essa pacificação tiveram o direito a uma légua quadrada de terra, devidamente demarcada para viver. As mulheres trabalhariam na agricultura, enquanto as crianças seriam educadas nos moldes cristãos e de acordo com os interesses dos dominadores. O Senado da Câmara de Natal pediu a prorrogação do mandato de Bernardo Vieira de Melo, mas a solicitação não foi aceita. Em Pernambuco, ele se tornou líder de uma corrente emancipacionista que propunha a instituição de uma república à moda de Veneza, livre da tutela portuguesa. Por causa dessas ideias, foi levado à prisão, onde faleceu. A guerra ainda não havia terminado, em 1715, quando o governador de Pernambuco determinou que se extinguissem ou se afugentassem completamente os bárbaros que ainda habitavam os sertões nordestinos, entregando o uso da terra para os sesmeiros. O que se diz é que, depois de 1720, não houve mais registro de sublevação. Entretanto, em Julho de 1725, oficiais da Câmara de Natal enviaram carta ao rei Dom João V informando que vários grupos indígenas das Ribeiras do Apodi, Piranhas, Piancó e Açu e alguns índios aldeados estavam inquietos. Os oficiais pediram que não se desfizessem as duas companhias do Terço dos Paulistas estacionadas no Rio Grande do Norte, mas, ao contrário, que aumentassem os seus contingentes. O convívio com os indígenas continua até hoje complicado, pois representam formas muito distintas de sobreviver e utilizar o meio ambiente. Para as frentes pastoris a melhor opção era a eliminação, independente do método utilizado. A Guerra dos Bárbaros significou a derrota definitiva do nativo do Nordeste, sua subjugação, abrindo espaço para a dominação territorial completa. A retirada dos nativos abriu o espaço para se ampliar as a posse de terras dos sesmeiros. No Rio Grande do Norte a ocupação dessas terras foi entregue, em grande parte, aos pequenos investidores que foram excluídos do grande negócio que representou o açúcar no litoral. O isolamento desses núcleos produtores fez com que se desenvolvesse uma civilização que tentava retirar do próprio meio o máximo para atender as necessidades de sobrevivência. A pecuária foi a atividade básica no interior do território. A ela se anexava a confecção de artefato de couro e as oficinas para a fabricação do charque[3]. Surgidas inicialmente na frente pastoril cearense, a atividade se beneficiou da produção das salinas do Rio Grande do Norte. Os trabalhadores da pecuária eram poucos e livres, pagos em animais, numa sociedade bem menos hierarquizada do que a açucareira do litoral. Com a desvalorização do rebanho durante o transporte para abate nos mercados consumidores, os produtores começaram a abater os animais e conservar a carne em sal, nos locais mais próximos aos portos. Os rebanhos do interior potiguar se formaram no encontro de três frentes pastoris: uma que saiu do Cunhaú, outra que veio da Paraíba e a última que se formou a partir do Ceará. Esse gado se multiplicou com facilidade e durante o século XVII e XVIII. É fácil encontrar referências ao “gado do vento”, que eram rebanhos abandonados que vagavam sem donos pela capitania. Nunca existiu uma política econômica que gerasse incentivos ao industrialismo e esse tipo de empreendimento ganhou relevo pelas necessidades geradas a partir do próprio modelo agroexportador. A partir da atividade criatória foram desenvolvidas as primeiras unidades industriais na área interiorana do Rio Grande do Norte. As oficinas do charque potiguar surgiram durante a primeira metade do século XVIII e se concentraram na região de Açu e Mossoró. A produção era quase toda destinada para as regiões mineradoras e o transporte era feito por via marítima, passando por Recife e Salvador. Nas décadas de 1750 e 1760 parte da produção chegou a ser enviada para a Europa. A expansão da manufatura da carne bovina potiguar era tão bem sucedida que provocou reações por parte do governo de Pernambuco[4] que pretendia manter o monopólio da carne na região. Essa concorrência, somado a outros motivos, provocou o fechamento das oficinas de processamento de carne de Açu e Mossoró, medida radical deliberada pelos pernambucanos, em 1788. Gado e sal foram os negócios que renderam lucros para as capitanias produtoras, porém a seca iniciada em 1777 já havia tornado a produção de charque no nordeste inviável devido a morte dos rebanhos. Refugiando-se dessa seca, em 1780, José Pinto Martins construiu a primeira charqueada que se tem registro na cidade de Pelotas. Numerosos outros estabelecimentos foram construídos logo depois, dando inicio ao ciclo do charque na região sul. Enquanto a produção do charque era extinta, aos poucos, a cotonicultura ganhava relevância em função de sua importância como produto incluído na economia de exportação. O primeiro período de expansão ocorreu na segunda metade do século XVIII, quando se tornou a principal matéria-prima abastecedora da indústria têxtil europeia. Esse surto exportador foi influenciado pela guerra de Independência dos Estados Unidos (1776-1783) que eram, na época, os principais fornecedores de algodão para os mercados industriais europeus. A cotonicultura já fazia parte das atividades produtivas de subsistência na capitania e essa expansão produtiva momentânea significou uma diversificação da economia na economia potiguar, surgindo na possibilidade de exportação de um produto que não fosse o açúcar.

               







Segundo José Augustos Bezerra de Medeiros (Revista do IHGRN, 1948), "Na zona do Seridó, certo e seguro é afirmar-se que todo o movimento povoador decorreu da necessidade econômica de encontrar lugar adequado à localização de fazendas de criação de gados”. Todo o povoamento do sertão nordestino, feito pelos colonizadores portugueses, está ligado diretamente à formação e à expansão dos ciclos do gado. No entanto, a demanda do açúcar no mercado internacional, durante os séculos XVI e XVII, determinou a expansão da cultura canavieira na Zona da Mata e, parcialmente, no agreste nordestino, e isso ocasionou numerosos conflitos entre plantadores de cana e criadores de gado, nas áreas ocupadas predominantemente pelos canaviais forçaram o governo colonial a estabelecer uma divisão espacial do trabalho e ficou determinado que o plantio de cana-de-açúcar ficaria restrito à Zona da Mata, enquanto que o Sertão ficaria reservado à pecuária.  Uma Carta Régia de 1701 proibiu a criação de gado a menos de 10 léguas da costa. Desta maneira, as partes em conflito passaram à coexistência pacificamente. A pecuária sertaneja se desenvolveu, pelo menos na sua fase inicial, como uma economia de subsistência e complementar à economia açucareira. Foi, por conseguinte, o ciclo do gado que impulsionou o povoamento do sertão nordestino e, dentro dele, a região do Seridó, mediante a instalação de currais de gado. Os números revelam a estreita relação entre a pecuária e os primeiros núcleos de povoamento da região, em 1775, a freguesia da Vila Nova do Príncipe (que nesta época correspondia a toda região do Seridó) havia 70 fazendas, 07 capelas, 200 residências, 3.147 trabalhadores não-escravos. Claro que os primeiros sesmeiros seridoenses, salvos algumas exceções, não vieram pessoalmente tomar posse das terras obtidas e dirigir as fazendas que iam instalando. Fizeram-no por intermédio de vaqueiros e procuradores, muitos dos quais se tornaram, posteriormente, fazendeiros abastados. São dessa época os fundadores das grandes famílias que ainda hoje ocupam a título quase exclusivo, ou pelo menos preponderante, o território do Seridó Potiguar. O gado foi desse modo, ao começar o povoamento da terra seridoense, o elemento fundamental, a fonte de riqueza natural assegurado das condições de vida, a oferecer perspectiva de exploração comercial, o princípio de todo o processo da história do Seridó potiguar.



 REGIÃO DO SERIDÓ 

O Seridó é uma região com 9 374,063 km², com características culturais e geográficas únicas. Tem a maior concentração de municípios com índice de desenvolvimento humano alto ou médio-alto das regiões Norte e Nordeste do país. Relevo de terras altas do Planalto da Borborema e terrenos mais baixos da Depressão Sertaneja. O ponto culminante da região é Serra das Queimadas, em Equador, com 807 metros de altitude, 2ª maior elevação do RN. Na região exibe a cidade mais alta do RN, Tenente Laurentino Cruz, a 730 m de altitude. Os principais rios da região: Piranhas Açu, Seridó, Potengi, Sabugi, Barra Nova e Acauã. O clima região é dividido em três áreas homogêneas: clima subúmido seco, presente desde o oeste de Caicó até Serra Negra do Norte com precipitação entre 800 a 1000mm/ano. Da a porção oriental de Caicó ao oeste do Seridó Oriental o clima é Semiárido mediano, com precipitação entre 600 a 800 mm. Nas demais áreas do Seridó Oriental o clima é Semiárido rigoroso com precipitação entre 400 e 600 mm. Na Serra de Sant'ana predomina o clima tropical de altitude, com temperaturas que chegam os 10ºC. O principal ecossistema é a Caatinga do Seridó, com abundância de cactos e manchas desnudas. Municípios do Seridó: Acari, Bodó, Cerro Corá, Carnaúba dos Dantas, Caicó, Cruzeta, Currais Novos, Equador, Florânia, Ipueira, Jardim de Piranhas, Jardim do Seridó, Jucurutu, Lagoa Nova, Ouro Branco, Parelhas, São Fernando, São Vicente, São João do Sabugi, São José do Seridó, Santana do Seridó, Serra Negra do Norte, Timbaúba dos Batistas e Tenente Laurentino Cruz.



O povo seridoense tem um amor muito grande por sua região. Tudo isso advém, acredito, do fato de muitos dos seus filhos terem preservado a História da Seridó através da Genealogia, o que originou autoestima e identidade para aquele povo. Aproveitando a festa de Santa Anna, vamos transcrever para cá uma carta patente de Coronel concedida a um de seus habitantes ilustres, o Coronel Cipriano Lopes Galvão. Além disso, daremos algumas informações de outro ilustre morador daquela Ribeira, Alexandre Rodrigues da Cruz. Pedro de Albuquerque de Mello, Capitão Mor da Capitania do Rio Grande e Governador da Fortaleza da Barra desta Cidade do Natal, por sua Majestade Fidelíssima que Deus Guarde, etc. Faço saber aos que esta minha carta virem que porquanto se acha vaga o posto de Coronel do Regimento de Cavalaria da Ribeira do Seridó, por impedimento de Alexandre Rodrigues da Cruz que o servia, por ele dar ar na boca e na garganta… se acha em perigo evidente da vida na Praça de Pernambuco e desenganado dos médicos e cirurgiões e ser conveniente prover pessoa de qualidade, merecimentos e serviços que possa governar naquela Ribeira do Seridó, por ser um Sertão de muita gente e distante desta Cidade sessenta léguas pouco mais ou menos, pedi informações aos oficiais da Câmara desta Cidade conforme as ordens de Sua Majestade os quais satisfizeram nomeando três homens entre os quais nomearam Sipriano Lopes Galvam em primeiro lugar; e por me constar ter servido a Sua Majestade que Deus Guarde, tanto de Capitão de Cavalos e de Sargento Mor da Ordenanças, tudo por espaço de anos com bom procedimento e muito zelo do Real Serviço, como por ser um dos homens principais e nobres desta Capitania e de conhecida nobreza e muito afazendado: hei por bem de o eleger e nomear como por esta o faço ao dito Sipriano Lopes Galvam, no posto de Coronel da Cavalaria do Regimento da Ribeira do Seridó que vagou por impedimento de Alexandre Rodrigues da Cruz, que o servia e em virtude das ordens de Sua Majestade, de vinte e dois de Dezembro de mil setecentos e quinze, com o que posto não haverá soldo algum da Real Fazenda, mas gozará de todas as honras, graças, privilégios, liberdade, e isenções que em razão do dito posto lhe tocarem; do qual posto o hei por apossado e ordeno a todos os seus oficiais subalternos de seu Regimento o conheçam por seu Coronel e como tal o honrem e obedeçam, cumpram e guardem suas ordens de palavra e por escrito como devem e são obrigados. E por firmeza de tudo lhe mandei fazer a presente Patente por mim assinada e selada com o sinete de minhas armas que se registrará nos livros da Secretaria deste Governo e nas mais a que tocar. Dada e passada nesta Cidade do Natal, Capitania do Rio Grande do Norte, aos três de Novembro do ano do nascimento no Nosso Senhor Jesus Cristo, de mil setecentos e cinquenta e sete. E eu, Manoel Pinto de Crasto, por ausência do Secretário a fiz//Pedro de Albuquerque Mello// e tinha o selo. Carta Patente pela qual V. Sª foi servido prover a Sipriano Lopes Galvam no posto de Coronel da Ribeira do Seridó, por impedimento de Alexandre Rodrigues da Cruz que o servia, como acima se declara e pelos respeitos acima declarados//para V. Sª ver// e não se continha mais em dita Carta Patente que eu, Manoel Pinto de Crasto, em ausência do Secretário aqui trasladei bem e fielmente como nela se continha. Copiado em 2 de Março de 1922. O Copista Petronillo Edson Pinheiro Joffily. Alexandre Rodrigues da Cruz, acima citado, recebeu uma Carta de data e sesmaria, em 23 de Dezembro de 1743. Terras entre as Ilhargas de Acauã e entre as Ilhargas do Quinqué e testadas do Trapiá e o sítio do Acari. Ribeira do Seridó. Alexandre Rodrigues da Cruz, que ocupava o cargo de Coronel, era casado, como já visto em artigo anterior, com Vicência Lins de Vasconcelos. Eram filhas do casal, acima, minhas hexavós Anna Lins de Vasconcelos e Tereza Lins de Vasconcelos, casadas respectivamente com Antonio Garcia de Sá Barroso e o português Francisco Cardoso dos Santos. (JOÃO FELIPE TRINDADE )



Estamos vivendo tempos difíceis, sendo reorientados por um movimento mundial, que visa estabelecer uma nova ordem mundial, tentando reorientar o mundo em sua sexualidade, usando estratégias de dominação política e subversão sexual, cultural e religiosa. Esta “onda” ou “movimento” está tentando se estabelecer no ocidente e principalmente no Brasil. Você pode não ser o foco, mas talvez os seus filhos e netos, ou seja, nossas crianças e adolescentes estejam na mira.

Usando a filosofia de uma politica totalitária de esquerda, se apossando da educação para sua promoção, seguem doutrinando ideologicamente nossos filhos, mudando seus sistemas internos de valores morais, éticos – principalmente o religioso, pois este é o único freio, segundo os próprios doutrinadores, capaz de conter seus avanços. Logo a estratégia dessa ideologia, é desconstruir tudo que venha a se tornar uma pedra em seu caminho.

Tem sido uma meta a ser alcançada pelos doutrinadores políticos e da ideologia de gênero, ocupar todos os espaços, na mídia, na sociedade, nas discussões sociais, culturais, na politica e principalmente nas escolas.

Na educação, o intuito é desconstruir valores familiares, morais e religiosos, colocando a criança em conflito com sua realidade, suas tradições familiares, para provocar no núcleo familiar da casa do aluno, uma guerra de valores. Desta forma, o alvo seria a desestabilização da Família, para então provar que “este núcleo e as tradições que as sustentam, em sua maioria são resultado de uma religião cristã, proselitista”. Assim transformam essa Família – tida como fator de proteção social e individual – em um “fator de risco”.

Parece até “teoria da conspiração”, coisa de “fanático”, não é mesmo? Mas é desta forma que os doutrinadores têm conseguido, desestabilizar a sociedade, através da destruição da célula mater da sociedade – a Família tradicional – e usam a estratégia da promoção pelo discurso da luta entre classes, carregado de promoção da “luta contra a homofobia, generofobia, transfobia”.

Em um primeiro momento, os discursos visam acabar com o preconceito contra as “minorias sexuais” (gêneros e LGBTT’s), o que viria a promover “a igualdade entre os seres humanos”. Seria aceitável se não usassem como estratégia a relativização moral, religiosa, impondo ideologias, pensamentos subversivos, tentando convencer com falácias apelativas e emocionais que, o gênero Binário (titulo que dão à heterossexualidade, que tem apenas dois gêneros- masculino e feminino) só é considerado normal dentro de uma sociedade heteronomativa, porque segundo, esses doutrinadores, “uma sociedade religiosa e proselitista normatizou este modelo e proíbe os outros gêneros [não binários] de existirem”. 









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