CAPÍTULO IX - 2004/2014
O coronel Silvino Bezerra de Araújo Galvão nasceu em Acari em 1836 e faleceu em Natal em 1921. Em vida, gozou de enorme prestígio político e social no Acary, sendo a principal liderança do lugar por décadas. Após sua morte, os acarienses viram a necessidade de erguer um monumento em sua memória. O busto de Silvino bezerra foi feito sob encomenda de Juvenal Lamartine de faria, que casado com sua filha, quis erigir no Acary uma lembrança do chefe politico. A obra foi feita por um artista de São José de Mipibu, chamado Raymundo Hostillio Dantas que a época era professor de desenho do colégio Atheneu Norte Rio Grandense. Provavelmente foi erguido na praça central de Acary entre os anos 1922 e 1924. Essa estátua era cercada por quatro correntes, para onde alguém após ter feito um ato digno de prisão, poderia ir se refugiar sem que a polícia local pudesse adentrar o espaço para prendê-lo, em respeito a memória do coronel. Segundo a tradição oral quando se passava em frente a estatua o individuo retirava o chapéu e baixava a cabeça, em uma saudação respeitosa a estátua. (Historiador Cícero Araújo)
Tanto tempo sem postar uma foto antiga de nossa cidade e volto hoje com gosto de gás, como se diz por aqui. Uma foto datada no verso de dezembro de 1952, cedida do arquivo pessoal de Chico de Balá, tirada do sótão de seu Aurino Pires. Podemos ver através dela a transformação que o nosso centro sofreu ao longo dos anos. Na fotografia vemos árvores, uma barraca, o busto do Coronel Silvino ainda cercado pelas correntes de ferro e virado para o poente (!), a praça antiga ao fundo, a fileira de casas que desce pela Rua Dr. José Augusto, o complexo de prédios da extinta Nóbrega & Dantas, as serras bem longe e muitas pessoas. Era dia de feira na cidade. Alguns tambores de duzentos litros, no canto baixo à esquerda do retrato, vem lembrar que o posto de gasolina era no prédio onde hoje está instalada a prestadora de serviços de Ramon, ali vizinho ao antigo Banco Econômico. Ou seja, da parte de cima desse mesmo prédio foi feito o registro que mostro hoje. O resto eu deixo por conta da saudade daqueles que ainda lembram do velho centro.
Praça Cel. Silvino Bezerra (atual)
Praça Coronel Silvino Bezerra, depois da reforma, com a inusitada e proposital retirada das correntes conforme se vislumbra na figura 4. Verba destinada pelo Deputado Federal por São Paulo, o Vicentinho, e executada pelo prefeito local Antônio Carlos. Considerando a retirada das correntes que cercavam o busto, monumento histórico, por lei ninguém poderia alterar sem um amplo debate com os munícipes. Da forma como projetado nos idos de 1922 não deveria promover mudança nem modificar a estrutura histórica de per si. Ademais, as correntes tinham um significado simbólico de poder. Rege a tradição oral que, antes mesmo do fincamento do busto, as correntes já existiam. Não se deve olvidar que se alguém fosse perseguido pela forças policiais (...), ou por quem quer que fosse, adentrasse ao 'cercado' das correntes, lá estaria protegido, estando intocável. Se ouvia o brado: "VALHEI-ME CORONÉ SIRVINO!" A nosso sentir foi inusitado e equivocado a retirada das antigas correntes. De relevo histórico, o local merece a proteção da curadoria do patrimônio histórico. Andou muito mal o executivo nessa reforma.
Pesquisado em acaridomeuamor.nafoto.net
Texto inicial de Joselito Araújo com adaptações.




Comentários
Postar um comentário