APRESENTAÇÃO
Acari é originalmente nome de peixe de escamas ásperas e carne branca saborosa, que gosta de viver em águas tranquilas e encontrou no Rio Acauã seu habitat. A presença do peixe, e de fácil pesca, dez surgir na boca do povo o nome de um povoado: Acari. Primitivamente, a localidade foi habitada pelos índios Cariris, e chegou à condição de povoado através da presença do Sargento Mor Manuel Esteves de Andrade, vindo da Serra do Saco. Em 1737, Manuel Esteves ergueu a Capela na localidade, consagrada a Nossa Senhora da Guia, que se tornou matriz em 13 de março de 1835. O prédio da antiga capela só foi substituído em 1863, com a inauguração da definitiva Igreja Matriz, em outro local da cidade. Surge então, a terra de Acari, baseada na marca forte da presença do eixe nas águas do Rio Acauã e na fé em Nossa Senhora da Guia. Antes mesmo de nascer, essa terra acompanhou a Guerra dos Bárbaros e a carnificina que culminou com o extermínio dos índios que habitavam as margens dos rios Seridó e Açu. Passou à condição de município no dia 11 de abril de 1835 através de Resolução do Conselho de Governo. Com área de 612,9 quilômetros quadrados de extensão teve seu território desmembrado do município de Caicó e, pela Lei n° 119 de 1898, tornou-se a mais nova cidade do Estado. Acari limita-se com os municípios de São Vicente, Carnaúba dos Dantas, Jardim do Seridó, Currais Novos e São José do Seridó. Situado na região Seridó, o município está a 209 quilômetros de distância da capital.
No dia 14 de abril de 1738, dom José Tomás deu o seguinte despacho: “Passe provisão para se benser a capela na forma que se pede tendo ela os requisitos necessarios”. O documento final recebido pelo sargento-mor Manoel Esteves de Andrade tinha o seguinte teor: “Concedemos licença ao sargento mor Manuel Esteves de Andrade, para que possa erigir a Capela de Nossa Senhora da Guia no lugar chamado Acari do Curato de Piancó, ercta na forma da nossa Constituição”. No entanto, a ação pioneira do sargento-mor Manoel Esteves de Andrade não parou por aí. Retornando ao Acari, tratou de construir uma casa, ao lado esquerdo da capela, destinada à residência dos futuros párocos e sacristães. Esta casa, considerada a primeira do Acari, resistiu até 1908, quando foi demolida para dá lugar ao moderno Grupo Escolar Tomás de Araújo, onde, anos mais tarde, passou a funcionar a Prefeitura Municipal. Lamentavelmente, o século XVIII é uma página obscura na história da cidade de Acari. Nada, exceto as sesmarias concedidas na região, até o presente foi divulgado e esta falta de documentos, nos impossibilita de relacionar os sacerdotes que foram capelães nessa localidade seridoense, durante os noventa e sete anos em que a Igreja de Nossa Senhora da Guia, permaneceu reduzida à condição de capela. Nessa condição, ela integrou a freguesia de Nossa Senhora do Bom Sucesso do Piancó - sediada na atual cidade de Pombal, no alto sertão paraibano - até a criação da freguesia de Nossa Senhora Santana do Seridó, em Caicó, ocorrida a 15 de abril de 1748, em cumprimento as disposições contidas na provisão de 20 de fevereiro do ano anterior, expedida por dom frei Luís de Santa Teresa, à época, bispo de Olinda. Entre os sacerdotes que passaram pela povoação de Acari, o mais antigo que se tem conhecimento é o padre José da Costa Soares, que a 15 de novembro de 1762 obteve por sesmaria uma data de terra, entre o rio Seridó e o Poço (sítio) da Raposa, na ribeira do Quipauá, no atual município de Santana do Seridó e que em 1776, exercia seu sacerdócio como capelão na próspera povoação, sede da futura freguesia de Nossa Senhora da Guia. Lentamente, a pacata povoação do Acari foi ganhando importância e delineamento urbano. Em meados de 1832, para ali retornou o padre Tomás Pereira de Araújo, ordenado na capital baiana, aos 17 de março daquele ano. Em Santa Luzia, casaram-se ambos os irmãos com duas irmãs - Sebastião de Medeiros Matos, com Antônia de Morais Valcácer, e Rodrigo de Medeiros Rocha, com Apolônia Barbosa de Araújo. Eram elas filhas de Manuel Fernandes Freire, natural de Olinda, e de Antônia de Morais Valcácer, também Antônia de Morais, a qual era filha de Pedro Ferreira das Neves, conhecido como Pedro Velho, e sua mulher Custódia de Amorim Valcácer - ele, natural de Mamanguape, transladou-se para a Ribeira do Sabugi, onde viveu na Fazenda Cacimba da Velha e se tornou um patriarca e proprietário de muitas terras. Aliás, juntamente com o cunhado Sebastião de Medeiros Matos, um filho homônimo do patriarca requereu a sesmaria transcrita abaixo, publicada por João de Lyra Tavares (vide Bibliografia):
Reza a tradição oral que o Sargento Mor Manuel Esteves de Andrade, português cobrador de impostos e dízimos, levou uma 'carreira' dos "CABLOCOS BRABOS" (índios hostis da nação tapuia). O fato se deu quando ele se deslocava a cavalo no caminho da propriedade rural ‘Saco dos Pereira’, o qual fez votos que caso escapasse daquele 'aperreio' construiria uma capela em devoção à Nossa Senhora Da Guia no exato local onde se encontrasse salvo. Em 1737, Manuel Esteves ergueu a capela na localidade de Acauã, consagrada a Nossa Senhora da Guia, que se tornou matriz em 13 de março em 1835. O prédio da antiga capela só foi substituído em 1863, com a inauguração da definitiva Igreja matriz, em outro local da cidade. Na região que hoje é a cidade de Currais Novos, no ano de 1777, houve uma grande seca (a famosa "seca dos três setes"). Em idos de 1725, o sargento-mor Manoel Esteves de Andrade, oriundo da capital paraibana, fixou-se no Acari, após adquirir o sítio ‘Saco dos Pereiros’, por compra feita ao seu parente Nicolau Mendes da Cruz. Sentindo-se só, aquele desbravador (que era solteiro), freqüentemente chamava sua mãe para residir com ele no Seridó. Esta, muito católica, explicava ao filho que somente deslocaria-se para aquele sertão inculto, quando existisse nas proximidades de sua fazenda uma capela, onde podesse professar sua fé cristã. Assim, em 1736, visando atender ao pedido de sua genitora, Manoel Esteves endereçou uma petição a dom José Fialho, Bispo de Olinda, a cuja diocese era subordinado o território norte-riograndense, solicitando autorização para erigir uma capela, no lugar chamado ‘Acari’, recebendo, no final, a devida. “Ilustríssimo senhor. Dis o Sargento Mor Manuel Esteves de Andrade morador no districto do curato de Piancó que elle pretende erigir hua capella com a invocação de N. S. da Guia, no lugar xamado Acari districto do dito curato, para o fim de sua alma e dos mais moradores circunvizinhos, por ficarem distantes de sua Matriz oito dias de viagem, para cujo fim tem junto muita pedra, lhe fez a escritura do patrimonio que apresenta em meia legoa de terra que rende todos os annos de arrendamento deis mil reis, os quais aplica p.ª os paramentos, reparação, fabrica da dita capella por tanto pide a vossa Illustrissima lhe faça mercê atendendo ao muito serviço de Deos que se seguirá com a erecção desta capella conceder-lhe licença para apuder erigir, estando de todo acabada, e ornada com os paramentos necessários o seu Reverendo Parocho a possa benzer e nella celebrarem-se os divinos officios e já os moradores daquelle lugar alcansarão licença que apresentão para apuderem erigir por ter sido vossa Illustrissima informado do Reverendo Parocho ser util, em numerario, e receberá mercê. Para provisão para se erigir a capella na forma do estilo. Olinda, onse de Novembro de mil sete centos e trinta e sete estava a firma do Illustrissmo Senhor Bispo. Dom José Fialho por mercê de Deos, e da Sancta e Apostolica Bispo de Pernambuco, e do Concelho de sua Mag.e aq.m Deos goarde e d.a pela presente concedemos licença ao Sargento Mor Manoel Esteves de Andrade, para que possa erigir a capela de N. S. da Guia no lugar xamado Acari do curato de Piancó erecta na forma da nossa constituição dada em Olinda sob nosso signal, e sello aos dose dias do mês de Novembro de mil sete centos e trinta e sete, eu Miguel Alvares Lima escrivão da Câmara Episcopal o escrevi estava a firma do Illustrissimo Senhor bispo sello valla sem sello ex causa seis mil tresentos e vinte. Monteiro Registrada a folhas cento e setenta e nove do Livro trese do Registro Olinda dose de Novembro de mil sete centos e trinta e sete, etc, etc”. Após receber a autorização, o fundador de Acari retornou ao Seridó e logo tratou de iniciar a construção da capela de Nossa Senhora da Guia, que tornou-se o marco da evolução histórica desta cidade. Concluindo a capela, Manoel Esteves voltou à presença daquele prelado pernambucano, apresentando-lhe essa segunda petição: “Diz o Sargento Mor Manoel Esteves de Andrade morador do certão do Acari Freguesia do Piancó donde elle Sup.e tem erecto hua capella invocação N. S. da Guia com provisão de vossa Illustrissima, para effeito de se benser por esta acabada, e ter os paramentos necessários. Só lhe falta provisão pide a vossa Illustrissima seja servido mandar provisão para se benser a dita capella estando na forma da constituição pelo seu Reverendo Parocho, ou sacerdote de sua licença pelos longes do dito lugar e se puder diser nella missa, e os mais divinos officios, e receberá mercê”.
Igreja de Sant’Ana no Final do Século XIX - Foto: Acervo de Joaquim Martiniano Neto.
A cidade de Caicó é considerada a primeira mancha urbana do território que hoje corresponde a Região do Seridó. Já em 1700 se deu a fundação do Arraial de Queiquó, por Manuel de Souza Forte. No entanto as primeiras famílias a se instalarem plenamente se deram a partir de 1720, por portugueses vindos principalmente do norte de Portugal e Açores. Em 7 de julho de 1735, o arraial foi elevado a condição de "Povoado de Caicó". No intuito de interiorizar o povoamento do nordeste, o Marquês de Pombal eleva à condição de Vila, batizando-a de Vila Nova do Príncipe, em homenagem ao então príncipe e futuro rei Dom João VI. Tornando-se assim sede da Freguesia da Gloriosa Senhora Sant’Ana do Seridó. Desmembrada Freguesia de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Piancó, atual cidade de Pombal, no estado da Paraíba em 22 de junho de 1766, e sua execução se deu em 28 de abril 1788, com instalação em 31 de julho de 1788, com o nome de Vila Nova do Príncipe. Em Acauã (hoje Acari) por volta de 1720, já existia o que se poderia chamar de povoado. A margem do rio ficava um pequeno lance de casas, com frente para o norte. No trecho mais horizontal, fincara-se a feira semanal. A feira revestia-se de pouco movimento, nela se trocava alguns produtos e vendia-se farinha de mandioca e outros gêneros. Em 1727, Chegou às terras de Acauã, um dos mais ilustres patriarcas seridoenses de todos os tempos, Caetano Dantas Correia, filho de português, instalou uma fazenda de criar , em Picos de Cima, a 9 km do povoado. Caetano Dantas Correia foi coronel do Regimento da Cavalaria de Milícias até os 80 anos. Fundou a aglomeração urbana que hoje é a cidade de Carnaúba dos Dantas. A pouca densidade populacional nos primeiros anos na região do Seridó, despertou o espírito de solidariedade e hospitalidade presente ate os dias de hoje.


.jpg)





Comentários
Postar um comentário